Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

6.ª Sobrenatural - "A carroça fantasma"

O sonho da senhora Anderson, francesa casada com um sueco, ilustra curiosamente a lenda escandinava. Ela sonha que caminha por uma estrada deserta na companhia de sua filha Chantal, uma encantadora jovem que começa a fazer carreira no cinema.

Uma carroça passa por elas, percorre ainda uns metros e pára, rangendo. Reconhecem pessoas de família, todas já falecidas. O cocheiro, de roupas pretas, grande chapéu escondendo um rosto lívido, faz sinal a Chantal para subir. A senhora Anderson, que compreendeu o sentido do convite, quer ocupar o seu lugar. O cocheiro empurra-a e diz em tom peremptório: - Tu não! Ela!

Chantal obedeceu e foi sentar-se entre os defuntos, que lhe sorriem e se apertam para lhe darem lugar. A carroça afasta-se com um novo rangido. A senhora Anderson vê-se sozinha na estrada, mais do que nunca deserta, tão deserta quanto os dias que lhe restam para viver.

Acorda a chorar.

Nesse ano, por razões que sempre se mantiveram misteriosas, Chantal suicidou-se."

 

A premonição e o nosso destino

Jean Prieur

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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

6.ª Sobrenatural - "O fantasma de Dante indicou o local"

"Quando, em 1321, Dante Alighieri morreu, não foi possível encontrar partes do manuscrito da sua obra prima, A Divina Comédia. Durante meses, os seus filhos, Jacopo e Piero, revistaram a casa e todos os papéis do pai.

Tinham desistido da busca quando Jacopo sonhou que vira o seu pai vestido de branco e inundado de uma luz etérea. Perguntou à visão se o poema fora completado. Dante acenou afirmativamente e mostrou a Jacopo um local secreto no seu antigo quarto.

Tendo como testemunha um advogado amigo de Dante, Jacopo dirigiu-se ao local indicado no sonho. Por detrás de um pequeno cortinado fixado na parede encontraram um postigo.

No interior do esconderijo havia alguns papéis cobertos de bolor. Retiraram-nos cuidadosamente, limparam-nos com uma escova e conseguiram ler as palavras de Dante. Assim se completou A Divina Comédia. Se não fosse uma visão fantasmagórica surgida num sonho, um dos maiores poemas do mundo teria provavelmente permanecido incompleto."

 

O Grande Livro do Maravilhoso e do Fantástico

Selecções do Reader's Digest

 

Assim se verificou também qual era o filho preferido do Dante e que os filhos, quando vêem os amados e falecidos pais em sonhos, limitam-se a perguntar onde estão as coisas que poderão vir a ser economicamente úteis.

publicado por bonecatenebrosa às 13:33
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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

6.ª Sobrenatural - "A vingança de Fisher"

"Numa noite sombria de Inverno no ano de 1826, James Farley, um respeitável agricultor de Cambelltown, Nova Gales do Sul, passava perto de uma casa pertencente a um homem de nome Frederick Fisher quando viu, sentada numa vedação, uma figura que apontava para um local na cerca do referido Fisher. O aspecto da figura era de tal modo sinistro que Farley fugiu, convencido de que vira um fantasma.

Fisher era um antigo condenado a quem fora outorgada a liberdade condicional e que se tornara um fazendeiro próspero. Algum tempo antes de ter sido preso por dívidas, transferira todos os seus bens para o nome de outro ex-condenado seu amigo, chamado George Worrall, a fim de impedir que fossem rateados pelos seus credores. Após 6 meses de prisão, regressara, súbita e inesperadamente.

No dia 26 de Junho de 1826, alguns meses antes de o fantasma ter surgido a Farley, Fisher fora visto a sair de uma taberna de Cambelltown, onde bebera abundantemente, e não voltou a aparecer. Worrall fez circular a história, perfeitamente aceitável, de que Fisher regressara a Inglaterra no navio Lady Vincent. Porém, decorridos 3 meses após o desaparecimento de Fisher, as autoridades começaram a suspeitar da perpetração de um crime e colocaram um anúncio na Sidney Gazette oferecendo uma recompensa de 20 libras pela descoberta do corpo de Fisher.

Worrall foi interrogado pela polícia porque fora visto a usar umas calças que se sabia que haviam pertencido a Fisher. Decidiu então acusar outros 4 homens de terem assassinado o seu amigo, declarando peremptoriamente que os vira cometer o crime. A história, obviamente inverosímil, aumentou as suspeitas alimentadas pela polícia, que prendeu Worrall.

Foi por esta altura que Farley viu o fantasma. A instâncias suas, um polícia dirigiu-se à cerca, acompanhado por um batedor aborígene. Encontrou vestígios de sangue humano numa determinada vedação e, no preciso local indicado pelo fantasma, descobriu o corpo de Fisher, selvaticamente agredido, enterrado numa cova pouco profunda.

Worrall foi condenado pelo assassínio e, antes de ser executado, confessou a um sacerdote que matara Fisher, embora declarasse que desferira a pancada acidentalmente."

 

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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

6.ª Sobrenatural - "Philip - Um fantasma feito pelo homem"

"Fantasmagóricos sons de pancadas e o derrube de mesas pesadas eram considerados obra de espíritos pelos espiritistas do século XIX. Alguns parapsicólogos modernos, porém, tendem a suspeitar da intervenção da mente inconsciente em tais ocorrências. E a fim de estudar a potencial influência da mente sobre objectos inanimados, um grupo formado pela Sociedade de Pesquisa Psíquica de Toronto, Canadá, iniciou uma experiência notável. Nos primeiros anos da década de 70, o grupo de 8 membros inventou uma figura inexistente do passado, após o que envidou todos os esforços com vista a fazer o fantasma inventado manifestar-se.

Na sua introdução a Conjuring Up Philip, o conselheiro científico do grupo, Dr. A. R. G. Owen, membro do Departamento de Medicina Preventiva e Bioestatística da Universidade de Toronto e investigador psíquico em vias de se especializar em casos de Poltergeist, escreveu: «Era essencial para o objectivo que eles se propunham que Philip fosse uma personagem totalmente fictícia. Não apenas um produto de imaginação, mas declarada e obviamente irreal, com uma biografia cheia de erros históricos».

Um dos membros do grupo, identificado apenas como Sue, mãe de 3 rapazes e antiga enfermeira nas Forças Armadas Canadianas, foi encarregado de forjar a história básica da vida de Philip. Escreveu ela: «Philip era um aristocrata inglês que viveu em meados do século XVII, no tempo de Oliver Cromwell. Fora partidário do rei e era católico. Estava casado com uma mulher bela, mas racional e frígida, Dorothea, filha de um nobre vizinho. Um dia, quando cavalgava junto aos limites das suas propriedades, deparou-se a Philip um acampamento de ciganos, entre os quais ele viu uma bela cigana de olhos escuros e cabelo negro de azeviche, Margo, pela qual imediatamente se apaixonou.

«Trouxe-a secretamente e instalou-a na casa junto ao portão, perto dos estábulos de Diddington Manor - a sua residência familiar. Durante algum tempo manteve secreto o seu ninho de amor, mas finalmente Dorothea suspeitou do que se passava, descobriu Margo e acusou-a de bruxaria e de lhe roubar o marido. Philip, demasiado receoso de perder a sua reputação e as suas posses, não ousou depor em tribunal em defesa de Margo, a qual foi condenada por bruxaria e queimada na fogueira. Subsequentemente, Philip, dominado pelos remorsos de não ter tentado defender Margo, criou o hábito de percorrer a passos largos, deseperado, as muralhas de Diddington. Finalmente, uma manhã, o seu corpo foi encontrado na base das muralhas, do cimo das quais se lançara num gesto de agonia e remorso.»

Embora exista um lugar chamado Diddington Hall no Warwickshire, Inglaterra, Philip era uma personagem inteiramente fictícia.

Os membros do grupo memorizaram os dados biográficos fictícios sobre Philip, elaboraram ainda outros pormenores, estudaram o período durante o qual ele supostamente vivera e adquiriram mesmo fotografias do verdadeiro Diddingnton Hall e da região campestre que o rodeia. Procuraram criar «uma alucinação colectiva» de Philip, descrevendo o seu aspecto, preferências alimentares e «especialmente os seus sentimentos para com Dorothea e Margo», até terem criado um quadro mental completo dele ao qual todos poderiam referir-se.

Durante meses a fio as 5 mulheres e os 3 homens que integravam o grupo envidaram todos os esforços para invocar o espírito fictício que haviam criado. Sentados em círculo, em redor de um desenho do seu pretenso fantasma, meditaram na sua imagem.

A primeira manifestação do fantasma recebida pelo grupo foi uma pancada na mesa mais sentida do que ouvida; todos os presentes notaram uma vibração. Seguiram-se várias pancadas curtas e secas, como se alguém tivesse batido na mesa. Inicialmente os participantes suspeitaram que as pancadas haviam sido inadvertidamente provocadas por eles próprios.. Quando, porém, a mesa começou a mover-se pelo soalho de uma forma irregular e aparentemente sem objectivo, começaram a interrogar-se entre si. Finalmente, um membro do grupo perguntou: «Será Philip o responsável por estas ocorrências?» Como resposta ouviu-se uma pancada muito sonora. Tudo parecia indicar que, finalmente, o fantasma imaginário chegara.

Formulando perguntas e aceitando uma pancada como uma resposta afirmativa e duas como uma resposta negativa, o grupo em breve estabelecia um diálogo relativamente rápido com a entidade que aparentemente conjurara. A bizarra aventura depressa adquiriu novas dimensões: um quarto da casa foi reservado a Philip, e a personalidade fantasmagórica foi aceite como uma entidade distinta que patenteava gostos e aversões, tinha opiniões abalizadas sobre alguns assuntos e menos seguras sobre outros.

Quando se perguntou a Philip se a sua mulher, Dorothea, se recusava a ter filhos, ouviu-se a madeira a ser arranhada. Um dos membros do grupo sugeriu: «Talvez ele esteja a tentar dizer-nos que estamos a abordar assuntos demasiado pessoais. Talvez ele não queira discutir todos estes pormenores íntimos». Em resposta ouviram-se umas sonoras pancadas afirmativas.

Mrs. Owen e Sparrow notaram que «as pancadas e os movimentos da mesa pareciam intimamente relacionados, se não de facto suscitados, pelo conhecimento, pensamentos, vontade, disposição e poder de concentração de cada membro do grupo». Se o grupo concordava com a resposta à pergunta, a pancada afirmativa era rápida e sonora; quando alguns dos membros alimentavam dúvidas, as pancadas eram mais hesitantes.

À medida que se descontraíam e começavam a apreciar os seus encontros com Philip, os investigadores começaram a reagir como se ele fosse de facto outro membro do grupo. Arreliavam-no, brincavam e namoriscavam com ele. Quando, porém, advertiram Philip de que se ele não respondesse «nós podemos mandar-te embora e arranjar outro», as pancadas cessaram e foi difícil restabelecer a comunicação. No entanto, por fim, as pancadas e os movimentos da mesa continuaram; segundo os relatos, a mesa precipitava-se em direcção aos retardatários, prendendo ocasionalmente membros do grupo num canto da sala.

Em resumo, os investigadores haviam sido bem sucedidos para além das expectativas, embora nenhum compreendesse como nem porquê. Tal como Mrs. Owen afirmou: «Compreendemos e provámos claramente que não existe qualquer espírito por detrás das comunicações; as mensagens provêm do subconsciente do grupo, mas é sobre a força física que precisamos de saber mais»."

 

Fronteiras do desconhecido

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Observação: Fictícios ou não, os fantasmas não gostam de ser tratados como objectos e, nessas situações, amuam.

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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007

6.ª Sobrenatural - "Uma voz na noite"

"Afirma-se que, ao soar a meia-noite, se ouve no centro da Cidade do México um grito arrepiante, que ecoa há mais de 4 séculos. A lúgubre voz pertence a uma mulher que se lamenta: «Oh, meus filhos, meus pobres, desgraçados filhos!»

É La Llorona (a mulher que chora), que com a roupa rasgada e manchada de sangue assombra a noite, chorando tragicamente a sua dor.

Segundo uma lenda mexicana que data de 1550, a voz pertence a D. Luísa de Olveros, uma hispano-índia de grande beleza que se tornou amante de um nobre, D. Nuño de Montesclaros, a quem amava profundamente e de quem teve 2 filhos, rezando pela chegada do dia em que se tornaria sua noiva.

Inexplicavelmente, porém, a assiduidade e a paixão de D. Nuño começaram a abrandar de modo inquietante.

Solitária e angustiada, Luísa decidiu finalmente, uma noite, reunir toda a sua coragem e dirigir-se à opulenta mansão da poderosa e influente família Montesclaros, na esperança de ver o seu amante e lhe pedir que voltasse.

Aí deparou-se-lhe uma festa sumptuosa, com que D. Nuño celebrava brilhantemente o seu casamento, que se realizara nesse mesmo dia, com uma espanhola de estirpe nobre.

Luísa correu para ele, desfeita em lágrimas e presa da maior angústia, mas o nobre espanhol afastou-a, afirmando friamente que, devido ao sangue índio que lhe corria nas veias, ela nunca se poderia ter tornado sua mulher.

Semilouca e possuída do mais profundo desespero, a jovem correu desvairadamente para casa, direita aos filhos, que assassinou com um pequeno punhal que lhe fora oferecido pelo amante.

Depois, saiu de casa, coberta de sangue, e precipitou-se aos gritos pelas ruas, até que foi presa e encarcerada numa cela. Foi condenada por feitiçaria.

O corpo de D. Luísa de Olveros, enforcada em público na Cidade do México, foi deixado balouçar como humilhação final, objecto de escárnio público durante 6 horas. Desde então, os gritos do seu fantasma têm ecoado pela Cidade do México. e assim continuarão, segundo diz a lenda, até ao fim dos tempos".

 

O grande livro do maravilhoso e do fantástico

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publicado por bonecatenebrosa às 13:51
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