Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Que nome se dá a um conjunto de disparates?

Li no Sapo a notícia de que um "homem grávido deu à luz por parto natural". Mais interessante que o sensacionalismo associado à notícia, foi ler os comentários do público. Chiça que já há muito tempo que eu não lia tanto disparate junto! Aliás, nem em todas as entrevistas que deu desde que está no governo, o Sócrates conseguiu dizer tanta asneira.

Para aqueles que se questionam sobre como foi concebida e de onde saiu a criança, passo a explicar: saiu exactamente pelo mesmo sítio que entrou. Visto que o indivíduo em questão estava a fazer tratamento hormonal para mudar de sexo, mas ainda não tinha feito a operação aos órgão genitais, tinha uma aparência masculina mas órgãos femininos. Se ainda assim não perceberam, é simples: ele rezou muito a Fátima a pedir para engravidar e a cegonha trouxe-lhe o bebé de Paris ou talvez da China, mas isso agora é com a cegonha.

Para aqueles que estão preocupados com o bem-estar psicológico da criança, acreditando que ela poderá ficar traumatizada com a situação, cá fica o meu parecer. Acredito que seja muito mais traumático ser negligenciada ou mal-tratada pelos pais, independentemente do sexo e/ou orientação sexual dos mesmos. Acho muito mais provável que a criança fique traumatizada com os comentários jocosos e discriminatórios que se fazem acerca dos seus pais, do que com os pais propriamente ditos.

Engraçado como as pessoas gostam de julgar aquilo que é diferente. Eu própria admito que também o faço, e apresento publicamente as minhas desculpas. A verdade é que não sendo adepta de nenhum clube futebolístico, já me perguntei se a prática largamente difundida de levar crianças ao futebol não será traumática. E baptizá-las também me parece traumático. Quer dizer, que mal é que a criança fez para passar por uma cerimónia que não entende e onde ainda lhe molham a cabeça? E a mutilação imposta às crianças que ainda são bebés quando os pais se lembram de lhes furar as orelhas. Ui tantos traumas, a loucura colectiva está explicada.

E a propósito, a Drª Manuela Ferreira Leite, de forma sábia, admite uma postura discriminatória em relação aos homossexuais, achando que não lhes deve ser concedida a possibilidade de casarem, recorrendo ao argumento segundo o qual homossexuais e heterossexuais são diferentes e, independentemente de a Constituição dizer o contrário, não devem usufruir dos mesmos direitos porque contrariam a norma. Digo "de forma sábia" porque, de facto, ela tem razão em duas coisas: a sua postura é mesmo discriminatória e uma coisa é uma coisa enquanto outra coisa é outra coisa. Do mesmo modo, também contraria a norma um partido ser liderado por uma mulher, pelo que segundo a sua própria teoria, ela deveria abandonar o cargo e dedicar-se a funções mais "femininas" como procurar meias para cozer. Quem tem telhados de vidro...

publicado por bonecatenebrosa às 00:21
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2 comentários:
De planiciemetalica a 5 de Julho de 2008 às 23:03
Quem for estéril e por acaso quiser casar, deve esconder bem esse facto (a esterilidade, não a vontade de casar). Li na primeira página do Diário de Notícias uma citação da Exma. Sra. Dra. Manuela Ferreira Leite, entre aspas e tudo, que dizia que a razão pela qual discriminaria os homossexuais era o facto de o casamento ter por finalidade a procrição.
Pois, pois. Se chegar ao poder e quiser ser coerente (presumindo que a palavra lhe diz algo, o que é pouco provável, visto tratar-se de uma política), deve impor a apresentação de certificados de felicidade antes de qualquer matrimónio; e aqueles casamentos patuscos de idosos em lares, que fazem as delícias de jornalistas com dificuldade em preencherem cantos de páginas de jornais, vão tornar-se uma coisa do passado.

Pois, pois.
Como dizia o outro: ou há moral, ou comem todos.
De bonecatenebrosa a 6 de Julho de 2008 às 18:53
Pois, de facto nem o Paulo Portas se lembra de dizer tantos disparates. Pode pensá-los, mas não me lembro de os ter dito assim tão abertamente.
Ela deve ter pensado que a única maneira de, sendo mulher, ter sucesso na política, era compensando esse "défice" (o de ser mulher) com ser hiperconservadora, valorizando a questão da procriação e maternidade/paternidade.
Agora pergunto eu: A dr.ª Manuela tem muitos aninho de vida em cima (pelo menos 50). Partindo do princípio que pode ter filhos mais ou menos desde os 15 anos, já devia ter pelo menos 12 filhos (isto partindo do princípio que dava um intervalo de 3 anos entre cada um). Onde é que eles andam? Ela não é casada? Não devia ter estado a procriar como qualquer boa parideira, em vez de se dedicar à política?

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